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Take us to Bruges

Take us to Bruges

21
Dez11

...

Maria

Bom dia a todos,

 

Escrevo-vos porque, à semelhança, do que se passou há seis meses, queria partilhar convosco e que soubessem em primeira mão como vão as coisas por aqui. Depois de ter trabalhado arduamente no recenseamento eleitoral e ter passado por experiencias mirabolantes neste longínquo Timor Leste onde tudo falta e a realidade e tão diferente de todas aquelas que já conheci, eis que se aproximam as eleições. Iremos ter eleições Presidenciais em Marco (já vamos com 8 candidatos à Presidência da Republica) e eleições para o Parlamento Nacional em Junho (para 65 lugares no Parlamento já temos 23 – sim leram bem, 23 – partidos candidatos às eleições. Posto isto, recebi há 3 semanas uma proposta por parte das Nações Unidas para continuar a minha colaboração como voluntaria por mais seis meses.

 

Se é um facto que, para quem gosta de trabalhar em eleições, como é o meu caso, o ponto alto e mais estimulante deste trabalho está para chegar, a verdade é que também não faço questão de me desviar dos propósitos iniciais do meu projecto: ir estudar um ano para Bruges. Na vida por muito bom que seja o momento que estejamos a viver e por muito gratificante que seja a experiência e até potenciadora de futuras oportunidades, convém não esquecer que findas as eleições, toda a minha gente volta para casa. Por isso ponderei. Na tomada de decisão pesou o facto de bolsas de estudo concedidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, à semelhança do que sempre aconteceu todos anos, nem vê-las. E se era certo e seguro que todos os anos o prazo de candidatura às bolsas começava sempre no princípio de Novembro e terminava a 15 de Janeiro, este ano o site continua em branco (como podem ver: http://www.mne.gov.pt/mne/pt/Bolsas.htm) e embora já tenha tentado contactar o MNE a informação que me deram é a de que, em princípio, se pensa que as bolsas irão continuar a ser concedidas, sim, que está para breve, mas a verdade e que bolsas nem vê-las.

 

Ora as candidaturas ao colégio para 2012 estão prestes a terminar. Terminam dia 15 de Janeiro próximo: http://www.coleurop.be/template.asp?pagename=admisintro e a questão e tão-somente uma: não vale a pena estar a apostar numa candidatura quando sei que do ponto de vista financeiro não estão reunidas as condições (e este é logo um dos requisites do Colégio, saber se em caso de admissão há condições, ou não, para pagar). Acresce que esperar mais um ano também não é dramático atendendo ao trabalho que neste momento estou a desenvolver e que poderá ser uma mais-valia numa futura candidatura.

 

Em suma, decidi, depois de obtida a autorização do sitio onde trabalho em Portugal, ficar mais seis meses, enriquecer o meu CV com esta experiencia enquanto Observadora Internacional (mais concretamente o nome pomposo que dão ao que estou aqui a fazer e Legal and Voter Education Electoral Adviser) e, em Julho, quando regressar, então aí retomar o projecto Take us to Bruges e inscrever-me no ano lectivo de 2012 – 2013. Contudo, se vocês que estão aí, com acesso a internet todos os dias e a velocidade cruzeiro, souberem ou tiverem alguma informação relativamente às bolsas de estudo para o Colégio da Europa por favor façam a gentileza de me informar.

 

Aproveito também para vos dizer que em Janeiro serei transferida do distrito de Maliana para o distrito de Manufahi, por isso voltamos aquela dinâmica de encaixotar as coisas, procurar casa em Same (a minha próxima morada), encontrar casa por lá (vai ser outro filme do caneco) e mudar-me. Se algum de vós tiver por lá algum contacto que me possa ajudar prometo que vos levo daqui um crocodilo de madeira. De referir que em Same – Manufahi só há internet quando o rei faz anos e na esquadra da UN Police (em Maliana temos escritórios das NU mas em Manufahi não, nada, nicles. Uma linha telefónica, uma linha de internet e sempre que precisar de levantar dinheiro para comer ou de ir ao médico, digamos que são para aí 3 horas a conduzir. Tudo em bom portanto. A única coisa assim positiva que me ocorre é o facto de em Same haver peixe fresco, coisa que já não como vai para quase 5 meses).

 

Por fim, algo de que não falo muito porque me custa, porque me dói, porque desde o primeiro dia é e será, até ao dia em que sair daqui, o meu calcanhar de Aquiles: o Sebastião. Esta óptimo como podem ver nas fotografias (basta seguir o link), contínua lindo e é mimado ate mais não. Se me faz falta? Todos os dias. Se hoje tenho a certeza de que o protegi e salvaguardei ao não traze-lo comigo? Tenho.

 

Envio-vos de Timor um abraço sem distância, embrulhado em carinho e gratidão com os votos de que tenham um Santo Natal e um Ano Novo com tudo de bom.

 

Beijos para quem é de beijos e abraços para quem é de abraços.

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mas que sonho é esse que tu tens, Maria?

I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações. Ora como eu não tenho onde cair morta e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Quem quiser ajudar, basta divulgar.
Eu e o gato agradecemos.

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