Hoje fomos notícia. Porque um dia eu acreditei e vocês acreditaram comigo.

 

À Susana Paula, jornalista da Agência Lusa, o nosso muito obrigada. A todos vós, pessoas a quem eu nunca vi ou abracei mas que fizeram e fazem este sonho acontecer todos os dias, aquele abraço com afecto que se dá a quem nos quer bem. Por fim e pela enésima vez dizer o seguinte a algumas pessoas a quem este meu mega dream faz comichão:

 

 - Eu estou a vender o que é meu [bem como as ofertas que os embaixadores do projecto decidem voluntariamente fazer] para ir estudar para Bruges. Não preciso de implantes mamários para nada, livra. 

 

 - Eu estudei no meu país, sim. Duas licenciaturas, três pós graduações e nenhuma delas concluída a um domingo. Se a primeira licenciatura foi patrocinada pelos pais e concluída com 21 anos [lá em casa quem chumbasse ia trabalhar na hora] toda a restante formação foi paga por mim já a trabalhar. Amén pelos subsídios de Natal e de Férias. Dizer também que ter dois empregos e estudar à noite é possível e não mata ninguém. Eu pelo menos não morri. Há sempre uma altura em que o cansaço acusa [e muito] mas nada que não se consiga contornar com esforço e entrega. E é possível fazê-lo durante anos a fio.

 

- Eu não vivo em casa dos meus pais vai para mais de uma década nem eles me sustentam. Cá em casa só entra um ordenado, o meu, para o bem e para o mal. E também não tenho telemóveis topo de gama, para que conste. O meu custou-me dez euros numa promoção e serve lindamente. Mas se alguém estiver interessado é dizer, faz-se já negócio. O bicho tem cinco anos, as teclas todas e funciona que é uma maravilha.

 

- A “bomba” que está estacionada à porta de casa é da marca Fiat, tem quinze anos e é vermelho [como as papoilas]. Foi comprado em quinta mão com um subsídio de férias. Toda a gente diz que aquilo faz uns barulhos esquisitos mas nada a que uma pessoa não se possa habituar ao fim de alguns meses. E as marcas de ferrugem dão-lhe assim um ar retro. Verdade seja dita, pode ficar destrancado em qualquer lugar. Nunca houve amigo do alheio que se interessasse pela viatura. Havendo interessados no maquinão, também temos negócio.

 

- O gato é meu, sim. Não o fui ali buscar a um asilo para fazer figura. É meu, vai comigo e é assumido que ou vamos os dois ou não vai ninguém. Eu não abandono os animais que acolho, estamos entendidos.

 

- Hoje sou funcionária pública, é verdade. Shame on me que trabalho para o Estado. Mas se quiserem falar-me de recibos verdes anos a fio, do que é bater a tudo quanto é porta e nenhuma se abrir, do responder a propostas de emprego atrás de propostas de emprego e não aparecer nada, de trabalhar e não receber o ordenado ao fim do mês [aliás não ver o ordenado, ponto], de andar de estágio em estágio, de contratos em contratos, estão à vontade. Conheço essa realidade de trás para a frente. Mas, e sem falsos moralismos, deixem-me dizer-vos que não houve uma única experiência profissional que não me tivesse ensinado algo por muito precária que fosse. Acresce que não consigo perceber muito bem qual a correlação entre esta minha ousadia de querer aperfeiçoar a minha formação e a precariedade em que tantos outros jovens se encontram do ponto de vista profissional.

 

Em tempo de guerra, há quem chore e quem venda lenços. Eu estou a vender o que é meu com a ajuda e o carinho de todos os que ousaram acreditar em mim e neste meu projecto. Tão simples quanto isso. Em suma, eu sou uma miúda perfeitamente normal com um gato e um sonho. Nem uma coitada nem uma malvada. Apenas uma miúda banal, com um gato e um sonho, que um dia se determinou a ir mais longe na vida e pediu ajuda a todos os que por aqui passavam. Só isso. 

  

* A quem divulgou este nosso Mega Dream, bem-haja pela ajuda. A notícia no:

 

Sapo  [uma palavra de carinho para esta equipa tão especial]

 

I Online

 

Expesso Online

 

Visão Online

 

RTP Online

 

 

** E, já agora, para sossego dos espíritos mais inquietos dizer também que esta luta para me libertar desse malfadado vício do tabaco se mantém. Não vos digo que nos dias de maior ansiedade não me vergo a um cigarro, é verdade sim. Mas esta é uma luta diária e em curso. Lá há-de chegar o dia em que poderei bater com a mãozinha no peito e gritar “Free at last, free at last. I thank God I'm free at last”. Até lá, um dia de cada vez.