Segunda-feira, 31.12.12

...

 

Em 2012 aprendi que posso viver sem água, sem luz, sem internet, sem rede telefónica, sem televisão, sem comer carne de vaca, carne de porco, fiambre, peixe, bolinhos, salgados, pizzas e afins, que o mundo não acaba nem eu morro por causa disso. Aprendi que as pessoas têm uma capacidade de adaptação na adversidade que muitas vezes nem sabem. Que a cada momento somos capazes de nos superar e surpreender. Que, num ano e meio, dois pares de calças e cinco t-shirts servem perfeitamente. Que a Terra é um lugar imenso e que vale a pena ousar, sonhar, ir mais longe e determinarmo-nos por aquilo em que acreditamos. Aprendi que a saudade é das coisas mais difíceis de gerir e que a distância nos dá a exacta percepção de quem é quem na nossa vida. Em 2012 segurei na mão de Deus e confiei. Nele e em mim. Não me arrependi.

Quinta-feira, 27.12.12

Pois que já cheguei a Portugal, sim.

Ainda em modo alien, mas já cá estamos. 

 

Por aqui, tudo na paz, quer dizer mais ou menos. Como tenho a minha casa arrendada por um preço simbólico à madrinha do meu gato e na perspectiva de ir uma ano para Bruges já em Setembro acabei por arrendar também a um preço baixinho a casa de um amigo. Lá em Timor, com troca de mails para aqui, troca de mails para ali, fiquei convencida de que era chegar e desencaixotar. "Amiga tens lá uma casa que tem tudo. Tem esquentador, frigorífico grande, uma mesa, uma Tv, um sofá e uma cama". Eh pá e para quem andou um ano e meio a viver na montanha, de facto, não é preciso mais nada. Homens pá, Homens. Não percebem patavina do que é uma casa a funcionar.

 

Já arranquei a pele das mãos com tanta lixívia, já tenho as articulações a dar o berro com tantos banhos de água fria [o raio do esquentador desliga-se a meio, pá. Lá vai uma pessoa a praguejar que nem um trolha, cheia de shampoo dos pés à cabeça, pela casa fora, a pingar água por tudo quanto é sítio para voltar a ligar o dito cujo], o frigorífico só funciona pela metade [a parte de cima está viva, a de baixo - congelador - já morreu faz tempo] a TV dá espasmos sempre que se carrega no botão [me-do], os estores estão encravados e tenho duas tigelas debaixo do lava loiças. Tudo em bom, portanto. 

 

No meio disto tudo, e porque as inscrições para o Colégio já estão abertas, ando numa roda viva a recolher cartas de ex-professores, a traduzir certificados [beijinho enorme, assim de coração, ao Ângelo e à Marta que me estão a ajudar] a autenticar certificados [um abraço cheio de gratidão para a Maria que se ofereceu para o fazer] e sei lá mais o quê. 

 

O gato, está óptimo. Primeiro estranhou [tipo agora estou amuado] mas gato que é gato não resiste aos mimos de uma dona apaixonada [e é impossível este bicho não saber e sentir o quanto lhe quero e o amor que lhe tenho]. E é isto minha gente. Ainda com a vida encaixotada mas a mil. Assim que puder respondo aos vossos e-mails e passo lá nos vossos blogs para saber de vós e deixar-vos um abraço. 

mas que sonho é esse que tu tens, Maria?

I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações. Ora como eu não tenho onde cair morta e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Quem quiser ajudar, basta divulgar.
Eu e o gato agradecemos.

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